Vou contar um pouquinho do meu relato de parto, o da minha quinta gestação. Primeiro, quero deixar claro: este texto é apenas o meu relato pessoal, a minha história, e nada mais do que isso. Portanto, ele não é recomendação médica e não pretende influenciar a escolha de ninguém.
Além disso, não sou médica nem profissional de saúde. Por isso, tudo o que conto aqui é o que vivi e o que os médicos me explicaram, dito com as minhas palavras. Afinal, cada gestação, cada parto e cada mulher são diferentes.
Relato de parto: o histórico das minhas cesáreas
Eu tive cinco cesáreas. Infelizmente, desde o meu primeiro filho, não consegui ter parto normal por conta de uma série de fatores. Digo “infelizmente” porque eu tinha um desejo imenso de ser mãe de muitos filhos. Além disso, por orientação médica, a cirurgia cesárea exige cuidados especiais quando se repete em várias gestações, pois há riscos. Mas, enfim, vamos lá…
A minha última gestação e a cesárea agendada
Na minha última gestação, eu estava com 39 anos e já havia passado por quatro cesáreas. Mesmo assim, tive um pré-natal excelente e sem nenhum problema. A única coisa que sempre ocorreu foi o mal-estar das gestações, mas a gestação em si e a bebê estavam tranquilas. Além disso, estávamos radiantes, porque era a nossa primeira menina.
Com 38 semanas, o médico agendou a cesárea, pois a equipe não queria que eu entrasse em trabalho de parto. Apesar de ser um sonho meu entrar em trabalho de parto, sempre fui cuidadosa e jamais me opus, porque sempre penso no bem-estar dos meus filhos. Afinal, o mais importante é que eles nasçam bem e com saúde, independentemente da via de parto.
Durante a gestação, tive o acompanhamento de uma amiga doula, super competente, que me ajudou em momentos emocionalmente delicados e nos meus medos. Além disso, ela me ajudou com a maternidade, pois o meu parto seria pelo SUS e eu pegaria a equipe plantonista do dia. Porém, consegui agendar a cesárea com uma equipe excelente.
Minha experiência com a raquianestesia
No dia, me internei normalmente. Porém, nas gestações anteriores, eu havia tido uma crise de pânico na aplicação da raquianestesia, a famosa “raqui”. Suspeito que seja alergia, mas essa é apenas uma suposição minha. Um anestesista também levantou essa possibilidade, porque tive sintomas parecidos com os de uma reação à medicação ou à composição da anestesia. Quando aplicam em mim, sinto automaticamente um pânico profundo, coceira, vontade de ir embora e falta de ar.
Quero deixar claro que este é um relato pessoal e que isso aconteceu comigo. Portanto, não estou dizendo que vai acontecer com você. Conto este episódio apenas para que outras mulheres que passem por algo parecido não se sintam sozinhas. Se você tiver qualquer medo ou dúvida, converse com o seu obstetra e com o anestesista antes do parto.

O nascimento da minha filha
Assim que aplicaram a raquianestesia, começaram o parto imediatamente. A equipe foi totalmente humanizada e empática. Chamaram o meu esposo e o deixaram comigo o tempo todo. Por causa do pânico, levantei a cabeça diversas vezes, embora, com a raqui, não se deva levantar a cabeça durante a cirurgia nem nas horas seguintes.
A minha filha nasceu ao som do terço. Eu rezava insistentemente, e o meu esposo também, pois somos muito católicos. Além disso, a médica e toda a equipe nos ajudaram. Foram tão humanos que até me emociono ao lembrar.
A minha bebê nasceu saudável, em um parto rápido. Eu, porém, fiquei muito tempo na sala de recuperação, pois precisaram me sedar logo após o nascimento dela. Mesmo assim, ainda tive episódios de crise de pânico.
A dor de cabeça e a icterícia da bebê
Depois, fui para o quarto e, pelo menos aparentemente, estava tudo dentro do normal. Tive alta um dia depois. Porém, passei a sentir uma dor de cabeça terrível, tão forte que eu não aguentava levantar a cabeça. Acredito que foi por causa das inúmeras vezes em que levantei a cabeça durante o parto, mas essa é apenas a minha impressão. Então, voltei para a maternidade com esse quadro e fiquei internada com a minha bebê para tomar soro.
Nesse período, passamos uma noite inteira no hospital, e a equipe identificou que a minha bebê estava com icterícia. Foi providencial, e já vou contar por quê. No dia seguinte, de manhã, precisei dar entrada na UPA, em um protocolo que achei confuso, para depois descer à maternidade e internar a minha bebê para o banho de luz. Assim, ficamos 3 dias internadas até a bilirrubina baixar. Se quiser entender mais sobre o assunto, leia o meu artigo sobre icterícia no recém-nascido.
Os sinais que passaram despercebidos em casa
Depois da alta, voltamos para casa. Porém, percebi que, todas as vezes que eu ia amamentar, o meu útero e a minha barriga doíam demais, e a minha barriga estava enorme. Além disso, o sangramento estava pouco e fora do normal. Mesmo assim, não prestei atenção, talvez por causa do estresse e da rotina cansativa com as outras crianças. Olha só: até as mamães experientes “bugam” de vez em quando.
Por isso, hoje penso que qualquer sinal diferente depois do parto deve ser levado ao médico.
A retenção de lóquios e a cirurgia de urgência
Os dias foram passando e, 15 dias após o parto, comecei a sentir contrações ritmadas, de 15 em 15 minutos. Depois, o intervalo foi diminuindo, até que pensei: “parece que vou ter outro bebê de parto normal”. Então corremos para a maternidade e, na recepção mesmo, comecei a ter uma hemorragia, com sangue coagulado.
Em seguida, me levaram com urgência para fazer um ultrassom. Lá, descobriram que eu tinha uma retenção de lóquios e de sangue. Em linguagem popular, o que me explicaram foi que os resquícios do parto não saíram e ficaram retidos no útero. Ali mesmo me informaram que eu passaria por uma cirurgia de urgência, com outra raquianestesia. Naquele momento, o meu mundo caiu.
Mal eu sabia que já estava colhendo milagres, pois me explicaram que casos como o meu podem trazer risco de infecção. Deus foi bom demais comigo. Eu e o meu esposo choramos muito, nos despedimos e conversei várias coisas com ele e com Deus. Afinal, eu não sabia o que realmente estava acontecendo comigo.
Fiz a cirurgia de urgência e, depois, fiquei mais 4 dias internada na maternidade. Nesse período, a equipe precisou introduzir a fórmula na minha bebê, e, a partir dali, ela passou a pegar o meu peito somente por afeto. Nós duas temos uma ligação muito forte. Se quiser, leia também o meu relato sobre o fim da amamentação aos 11 meses.
O que esse relato me ensinou
Hoje sigo feliz. Colho milagres e louvo a Deus por ter me dado outra oportunidade, porque, em vários relatos parecidos, as mamães podem ter complicações sérias. Além disso, aprendi que a vida é um sopro. Por isso, aproveito cada momento como se fosse o último. Afinal, fora situações de urgência como a minha, nada é tão urgente assim para vivermos ansiosas.
Perguntas frequentes sobre este relato de parto
Este relato é uma orientação médica?
Não. Este é apenas o meu relato pessoal, escrito com as minhas palavras. Portanto, ele não substitui a consulta com o seu obstetra, o seu anestesista ou outro profissional de saúde.
O que aconteceu comigo vai acontecer com todas as mães?
Não. Cada gestação, cada parto e cada mulher são diferentes. Por isso, o que vivi é a minha história, e quem avalia o seu caso é sempre o seu médico.
Quando procurar atendimento depois do parto?
Se você sentir sangramento fora do normal, dor forte, febre, mal-estar intenso ou qualquer sinal que preocupe, procure atendimento médico logo. Além disso, conte ao profissional tudo o que estiver sentindo, sem esperar.
Conclusão
Compartilhei aqui o meu relato de parto com muito carinho, para que outras mulheres que passem por situações parecidas se sintam menos sozinhas. Se você viveu algo parecido, conte nos comentários. Para informações oficiais sobre gestação, parto e pós-parto, consulte também o Ministério da Saúde.
Aviso importante: este conteúdo é um relato pessoal, tem caráter informativo e não substitui a orientação, o diagnóstico ou o tratamento de médicos e outros profissionais de saúde. Além disso, não há promessa de resultado, e cada gestação e cada parto são únicos.
