Afinal, poucas coisas deixam os pais tão aflitos quanto ouvir o bebê chorar por horas sem saber o motivo. Se isso está acontecendo na sua casa, saiba que você não está sozinha: a cólica do bebê é uma das queixas mais comuns nos primeiros meses de vida. Além disso, a boa notícia é que ela costuma ser passageira e não indica que algo está errado com o seu filho ou com os seus cuidados. Por isso, neste guia você vai entender o que é a cólica, como reconhecer os sinais, quais formas seguras de aliviar o desconforto e quando é hora de procurar o pediatra.
O que é a cólica do bebê?
Primeiro, a cólica é um quadro de choro intenso e difícil de consolar em um bebê saudável, sem outra causa aparente. Nesse caso, os pediatras costumam usar a chamada “regra dos três”: choro, inquietação ou irritabilidade por pelo menos três horas ao dia, em três dias da semana, por mais de três semanas. Vale lembrar, no entanto, que a definição vem sendo ampliada, e muitos especialistas já consideram o quadro mesmo quando esses números não são atingidos. Ou seja, o seu bebê também pode ter cólica mesmo que o choro seja um pouco menor.
Quanto à origem, a ciência ainda não sabe explicar tudo. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, entre os fatores estudados estão a imaturidade do sistema nervoso, mudanças no funcionamento do intestino e o ambiente da família. Portanto, não existe um único culpado, e ninguém precisa se sentir responsável.
Quando a cólica do bebê começa e quando passa?
Em geral, a cólica aparece nas primeiras semanas de vida, e em muitos bebês o choro é mais forte no fim da tarde e à noite. Depois disso, o quadro tende a melhorar com o passar dos meses e, na maioria dos casos, desaparece antes dos quatro meses de idade. Por isso, embora seja uma fase cansativa, ela é temporária. Lembre-se de que cada criança é única, então o tempo pode variar um pouco de um bebê para outro.
Sintomas da cólica do bebê: como reconhecer
Assim, os sinais mais comuns incluem:
- choro forte, agudo e prolongado, que começa de repente e é difícil de acalmar;
- rosto avermelhado e testa franzida durante o choro;
- pernas encolhidas sobre a barriga ou, às vezes, esticadas e rígidas;
- punhos fechados e barriga um pouco tensa;
- alívio do choro depois de eliminar gases ou fezes, ou quando o bebê finalmente se cansa e dorme.
Mesmo assim, é importante lembrar que o bebê com cólica costuma mamar bem, ganhar peso e ter bom aspecto fora dos episódios de choro. Se isso não acontece, vale conversar com o pediatra, como você verá mais adiante.
7 formas seguras de aliviar a cólica do bebê
Embora não exista uma fórmula mágica, algumas atitudes simples ajudam muitos bebês a ficarem mais confortáveis. Por isso, experimente com calma e observe o que funciona com o seu:
- Colo e contato pele a pele. Isso porque o calor e o batimento do seu coração acalmam o bebê e também ajudam você a relaxar.
- Posição enroladinho. Envolva o bebê em uma manta leve, de forma confortável, e dobre as perninhas sobre a barriga. Porém, deixe sempre a cabeça e o rosto livres.
- Banho morno ou compressa morna. A água em temperatura agradável relaxa o corpinho. Contudo, antes de usar a compressa, teste a temperatura no seu antebraço para evitar queimaduras.
- Massagem suave na barriga. Faça movimentos leves e circulares, em sentido horário, com a mão aquecida. Em seguida, mova as perninhas do bebê como se ele pedalasse.
- Arrotar durante e depois das mamadas. Isso ajuda a eliminar o ar engolido. Além disso, mantenha o bebê na vertical por alguns minutos após mamar.
- Ambiente calmo e com poucos estímulos. Diminua a luz, reduza o barulho e coloque um som suave. Música instrumental tranquila, por exemplo, pode ajudar; veja nosso artigo sobre música clássica para bebês.
- Rotina previsível. Dessa forma, horários regulares de banho, sono e passeios deixam o bebê mais seguro e podem reduzir a irritabilidade.
Receitas caseiras seguras para aliviar a cólica do bebê
Muitas mães procuram “receitas caseiras” para a cólica. A boa notícia é que existem preparos simples, feitos apenas com água morna e tecidos que você já tem em casa, que ajudam o bebê a relaxar. Além disso, eles não trazem riscos, desde que sejam feitos com cuidado. Veja duas opções:
Receita 1: banho morno relaxante
O que você vai precisar: banheira, água morna, toalha macia e, se tiver, um termômetro de banho.
- Encha a banheira com água morna, em torno de 37 °C. Sem termômetro, teste com o antebraço ou o cotovelo: a água deve parecer agradável, nem quente nem fria.
- Também deixe o ambiente aquecido e sem correntes de ar.
- Segure o bebê com firmeza, apoiando a cabeça e o pescoço, e deixe-o na água por 5 a 10 minutos. Fale baixinho e faça movimentos lentos.
- Em seguida, seque-o com a toalha macia, vista-o e aproveite para fazer a massagem suave na barriga.
Cuidados: nunca deixe o bebê sozinho na água, nem por um instante. Além disso, não coloque ervas, óleos ou sabonetes perfumados na água.
Receita 2: compressa morna caseira
O que você vai precisar: uma fralda de pano limpa ou uma toalhinha de algodão e água morna.
- Molhe o tecido em água morna (nunca quente) e torça bem.
- Em seguida, teste no seu antebraço: ele deve parecer apenas levemente morno.
- Depois, apoie o tecido com delicadeza sobre a barriguinha do bebê, por cima da roupinha, por alguns minutos. Fique sempre ao lado, com o bebê acordado.
- Retire a compressa se ela esfriar ou se o bebê se incomodar.
Cuidados: não use bolsa de água quente nem saquinhos de arroz ou de sementes aquecidos no micro-ondas. Eles retêm calor e podem queimar a pele delicada do bebê.

E os chás caseiros de erva-doce, camomila e funcho?
Esses chás aparecem em muitas receitas passadas de geração em geração. No entanto, a Sociedade Brasileira de Pediatria orienta não oferecer chás nem medicamentos ao bebê com cólica sem a indicação do pediatra. Isso acontece porque o leite materno exclusivo já é suficiente até os 6 meses, e qualquer outro líquido pode diminuir as mamadas, além de não ter benefício comprovado para a cólica. Por isso, não indicamos receitas de chá neste artigo. Antes de oferecer qualquer coisa ao seu bebê, converse com o pediatra.
O que não fazer quando o bebê está com cólica
Quando o desespero bate, é comum aceitar qualquer conselho. No entanto, alguns cuidados são importantes:
- Não dê chás caseiros, ervas ou gotas por conta própria. Isso vale para erva-doce, camomila e funcho. Bebês pequenos não precisam de nada além do leite, e esses produtos podem fazer mal.
- Não use medicamentos sem orientação médica. Os remédios para gases, por exemplo, não têm eficácia comprovada, e qualquer medicação deve ser indicada pelo pediatra.
- Não interrompa a amamentação nem troque o leite por conta própria. Mudanças desnecessárias são muito comuns e raramente resolvem o problema.
- Nunca sacuda o bebê. Isso é perigoso e pode causar lesões graves.
Quando procurar o pediatra
A maioria dos casos de cólica é benigna. Contudo, o choro também pode ser um sinal de outros problemas. Por isso, procure atendimento médico se o bebê apresentar:
- febre, principalmente nos primeiros meses de vida;
- vômitos fortes, repetidos ou de cor esverdeada;
- sangue nas fezes;
- recusa para mamar ou pouca urina;
- barriga muito inchada e dura;
- muita sonolência, moleza ou choro diferente do habitual;
- ganho de peso abaixo do esperado.
Em caso de dúvida, não hesite em ligar para o pediatra. É sempre melhor confirmar do que ficar preocupada.
Cuidando de você durante a fase da cólica
Cuidar de um bebê que chora muito cansa o corpo e a mente. Por isso, peça ajuda ao parceiro, a familiares ou a amigos para revezarem nos cuidados. Se sentir que está no seu limite, coloque o bebê de barriga para cima no berço, em local seguro, saia do quarto por alguns minutos e respire fundo. Afinal, uma mãe descansada cuida melhor do filho. Se a tristeza ou a ansiedade forem intensas e persistentes, converse com um profissional de saúde.
Conclusão: a cólica do bebê tem solução?
Em resumo, a cólica do bebê é uma fase difícil, mas passageira. Embora não exista uma cura imediata, o colo, o carinho, a posição certa, o ambiente tranquilo e uma rotina previsível costumam trazer algum alívio. Além disso, lembre-se de evitar chás e remédios sem orientação e de procurar o pediatra diante de qualquer sinal de alerta. Portanto, respire fundo: em poucos meses essa fase vai ficar para trás. E você, que truque ajudou o seu bebê? Conte nos comentários.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou a orientação de um pediatra ou profissional de saúde.
