Hoje eu quero conversar com você sobre algo muito comum e pouco falado: a solidão materna. Sim, é possível ser mãe, viver cercada de gente e, mesmo assim, se sentir sozinha.
Aqui em casa, o movimento nunca para. Sou mamãe de cinco crianças, tenho um esposo e um cachorro. Mesmo assim, às vezes me sinto muito sozinha e sobrecarregada. Em alguns dias, eu só queria desabafar com alguém ou fazer qualquer coisa para esvaziar a cabeça. Talvez isso seja sobrecarga e estresse. Talvez seja um pouco dos dois.
Por isso, resolvi escrever este artigo. Se você também se identifica, saiba que a sua experiência é mais comum do que parece. Além disso, vou contar o que me ajuda a continuar a caminhada.
Antes de continuar, um aviso importante: eu não sou médica nem psicóloga. Este texto mistura a minha experiência com informações gerais e não substitui o acompanhamento de profissionais de saúde.

Solidão materna: por que tantas mães se sentem sozinhas
A casa cheia não impede a sensação de solidão. Afinal, estar rodeada de pessoas é diferente de se sentir ouvida, compreendida e cuidada.
Além disso, a mãe acumula muitas funções ao mesmo tempo. Nós somos pediatras de plantão, farmacêuticas, pedagogas, psicólogas, neurocientistas, marketeiras e intercessoras, entre tantas outras coisas que a gente aprende a fazer sem ninguém ensinar. Como consequência, o dia passa, a lista de tarefas cresce e quase não sobra tempo para olhar para dentro.
Muitas vezes, também achamos que precisamos ser fortes o tempo todo. Porém, somos seres humanos. Por isso, quando algo mostra que não está bem, precisamos parar, respirar e cuidar de nós, em vez de ignorar o alerta.
Outro ponto é que a vida muda e as amizades mudam junto. Em determinado momento, algumas amizades não são mais as mesmas, e algumas pessoas deixam de merecer a nossa confiança. Como muitas de nós são reservadas, acabamos guardando tudo para nós mesmas, no meio da rotina e das responsabilidades.
Acredito que muitas mulheres passam por isso em algum momento. Mas não precisa ser assim para sempre.
Solidão materna e sobrecarga: como perceber os sinais
Nem sempre é fácil notar que estamos no limite. Afinal, a rotina é tão corrida que a gente se acostuma com o cansaço. Mesmo assim, alguns sinais merecem atenção:
- cansaço constante, mesmo quando você consegue dormir;
- irritação por qualquer motivo e vontade de chorar sem saber por quê;
- sensação de que ninguém percebe o seu esforço;
- afastamento de amigos e de familiares;
- dificuldade de sentir prazer em coisas que antes eram boas;
- esquecimentos e falta de concentração.
Pesquisadores chamam o esgotamento causado pelo cuidado intenso com os filhos de burnout parental, ou burnout materno. Ele não substitui um diagnóstico, mas ajuda a entender que o cansaço da mãe é real. Portanto, se você se reconhece nesses sinais, não ignore e não se culpe.
Como lidar com a solidão materna: 6 atitudes que me ajudam
Veja bem: estas atitudes não são uma fórmula mágica. Elas são o que funciona na minha vida, e cada mãe tem a sua realidade. Além disso, nenhuma delas substitui a orientação de médicos e psicólogos.
1. Faça exercício físico
Para mim, este é o ponto principal. O exercício trabalha o corpo, a mente e a autoestima. Além disso, os benefícios vão muito além da estética.
Muitas vezes, estamos desanimadas e esperando um milagre para sair desse cansaço. O exercício ajuda justamente nisso: dá mais disposição, melhora o sono e o humor e ainda ajuda a vestir aquele número que a gente sonha e que nos faz bem. Além disso, uma vida ativa ajuda a prevenir várias doenças. Em alguns casos, o médico pode até rever tratamentos, mas isso só ele decide. Por isso, nunca interrompa um remédio por conta própria.
No meu caso, perdi 24 quilos depois da minha última gestação, com acompanhamento médico. Você pode ler a história completa em Como emagreci 24 kilos após minha última gestação. Hoje, faço academia pelo menos 3 a 4 vezes por semana. Também faço alongamento. Nas primeiras semanas, eu me lembro de como estava toda endurecida. Quando estou lá, parece que o meu corpo grita de alívio. De fato, a minha vida mudou muito com esse hábito.
Se você está começando, vá devagar. Primeiro, converse com o seu médico. Depois, comece com uma caminhada de 10 minutos e aumente aos poucos.
2. Reze e cuide da sua fé
A fé é uma grande força para mim. Por isso, eu recomendo rezar, frequentar a igreja e ter um orientador espiritual. Para quem é católica, convido a manter os sacramentos em dia e a buscar viver em estado de graça. A leitura diária da Bíblia e um diário espiritual também ajudam a encontrar caminhos quando não sabemos para onde ir.
Eu mesma não consigo ver uma igreja aberta sem entrar. Para mim, ela é um refúgio. Ali eu choro, entrego as minhas dores, agradeço e peço a misericórdia divina.
Quem tem outra fé pode se apoiar na sua comunidade e nas suas práticas. De qualquer forma, a fé é uma ajuda, e não substitui o cuidado médico e psicológico.
3. Faça terapia
Fazer terapia é fundamental. Afinal, nós, mães, temos tantas responsabilidades que precisamos de um espaço para desabafar com alguém preparado para ouvir e orientar o melhor caminho.
Além disso, muitas vezes estamos adoecendo emocionalmente e nem percebemos. O esgotamento materno é mais comum do que parece, e quanto antes ele é cuidado, melhor.
Se o valor é um obstáculo, procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Além disso, muitas faculdades de psicologia oferecem atendimento com preço social em clínicas-escola.
4. Faça um checkup
Às vezes, o desânimo tem uma causa física. Por exemplo, anemia, alterações na tireoide e falta de algumas vitaminas podem causar cansaço e tristeza. Por isso, faça um checkup e converse com o seu médico sobre os resultados.
Mas lembre-se: só o médico sabe quais exames pedir e se você precisa de algum suplemento. Portanto, não tome vitaminas por conta própria.
5. Faça planos e sonhe
Eu procuro fazer muitos planos e sonho bastante. Além disso, escrevo listas de objetivos de curto, médio e longo prazo. Isso me revigora, porque quem não sonha não tem um porquê para lutar.
Você pode começar pequeno. Por exemplo, no curto prazo, tome um café sozinha. No médio prazo, faça um curso. No longo prazo, planeje aquela viagem. Dessa forma, você tem algo bom esperando lá na frente.
6. Se puder, faça um retiro sozinha
Outra atitude que recomendo é fazer um retiro espiritual sozinha, se for possível. Ficar em silêncio, longe da rotina, ajuda a ouvir a si mesma e a recuperar as forças.
Se ainda não dá para ficar um dia inteiro fora, comece com poucas horas. Converse com o seu esposo ou com alguém da família e combine um tempo só seu. Mesmo uma hora por semana já faz diferença.
Peça ajuda dentro de casa
Além das seis atitudes, existe algo que muitas mães esquecem: pedir ajuda. Afinal, ninguém dá conta de tudo sozinha.
- Divida as tarefas. Converse com o seu esposo e combine quem faz o quê.
- Envolva as crianças. Cada uma pode ajudar de acordo com a idade, mesmo que seja só guardando os brinquedos.
- Procure outras mães. Um grupo de mães ou de amigas ajuda a trocar experiências e a rir dos perrengues.
- Organize a rotina. Um dia mais previsível alivia a cabeça. Veja as minhas dicas em Rotina de mãe: 7 hábitos para organizar a casa e a família.
Quando a solidão materna pede ajuda profissional
Sentir-se sozinha de vez em quando faz parte da vida. No entanto, procure um profissional de saúde se você perceber que:
- a tristeza está forte e dura mais de duas semanas;
- você perdeu o interesse por quase tudo;
- está difícil cuidar de você, da casa ou dos filhos;
- a tristeza surgiu depois do parto, em qualquer momento do primeiro ano do bebê.
Se você sentir que não aguenta mais ou tiver pensamentos de se machucar, peça ajuda agora. Ligue para o CVV no número 188, que é gratuito e funciona 24 horas por dia. Em caso de urgência, procure uma UPA ou ligue para o SAMU, no 192. Você merece cuidado, e pedir ajuda é um ato de coragem.
Mais sugestões:
É normal a mãe se sentir sozinha mesmo com a casa cheia?
Sim, é bastante comum. A solidão não depende de quantas pessoas estão por perto, e sim de se sentir ouvida e acolhida. Por isso, mães com vários filhos também podem passar por isso.
Solidão materna é depressão?
Não necessariamente. Porém, a solidão prolongada pode vir junto com a depressão ou a ansiedade. Por isso, se a tristeza for intensa ou durar muito tempo, procure um psicólogo ou um médico para avaliar.
O que fazer quando não tenho dinheiro para terapia?
Você pode procurar a UBS do seu bairro, um CAPS ou clínicas-escola de faculdades de psicologia. Além disso, vale conversar com uma amiga de confiança ou com a sua comunidade de fé enquanto o atendimento não começa.
Você não precisa carregar tudo sozinha
A solidão materna é real e não é sinal de fraqueza. Cuidar do corpo, da mente e da fé, pedir ajuda e sonhar com o futuro são atitudes que fazem a caminhada ficar mais leve. Além disso, lembre-se de que cuidar de você também é cuidar dos seus filhos.
E agora quero ouvir você: o que ajuda a sua mente quando você se sente sozinha? Conte nos comentários. Quem sabe a sua dica ajuda outra mamãe que está lendo.
Beijos,
Jenifer Pereira
Este texto compartilha informações gerais e a minha experiência pessoal. Ele não substitui a consulta, o diagnóstico nem a orientação de médicos, psicólogos e outros profissionais de saúde. Em caso de sofrimento intenso, procure ajuda profissional.
