O fim da amamentação chegou hoje para mim, e chegou sem avisar. Olá, meu nome é Jenifer e sou mamãe de quatro meninos e uma menina. Minha bebê tem 11 meses e, hoje, ela não me quis mais.
Calma, vou explicar. Hoje me despeço de uma das partes mais bonitas da maternidade.
Não foi uma despedida planejada. Afinal, ninguém me avisou que aquela seria a última mamada. Ela simplesmente se afastou e virou o rostinho. Então entendi, no silêncio daquele momento, que um ciclo tinha se fechado.
Quando o fim da amamentação chega com dentinhos nascendo
Minha pequena já tem oito dentinhos, e outros tantos estão apontando. Por isso, ela anda enjoadinha e com dor. Acredito, portanto, que esse desconforto tenha influenciado a decisão dela. Afinal, gengiva inchada e dentes nascendo são muita novidade para um corpinho tão pequeno.
Acredito que ela será minha última bebê. Confesso que uma nostalgia imensa tomou conta de mim ao pensar que talvez eu nunca mais amamente um filho meu. Além disso, eles estão crescendo, ficando independentes e cheios de vida. Por isso, assimilar tudo isso dói demais.
Hoje foi a última vez. Foi a última de uma amamentação cheia de amor, de olhares trocados e de carinho sem hora marcada.
Por que o fim da amamentação pode acontecer de repente?
Eu não sou profissional de saúde. Por isso, conto aqui só o que vivi e o que aprendi como mãe. Muitas mães passam por algo parecido. De repente, o bebê recusa o peito, e a mãe fica sem entender o motivo.
Entre as causas mais comuns estão os dentes nascendo, a dor na gengiva, as mudanças na rotina e a curiosidade pelo mundo ao redor. Além disso, nessa idade os pequenos começam a mostrar o que querem e o que não querem. Em alguns casos, a recusa é passageira. Em outros, porém, ela marca de verdade o fim da amamentação.
Segundo o Ministério da Saúde, a amamentação é recomendada até os dois anos de idade ou mais, e de forma exclusiva nos seis primeiros meses. Por isso, se o seu bebê recusar o peito de repente, vale conversar com o pediatra antes de tomar qualquer decisão. Afinal, cada criança tem o seu tempo, e cada família também.
As últimas vezes que ninguém avisa
Pensando bem, quantas “últimas vezes” já vivemos sem perceber?
Qual foi a última vez que trocamos uma fralda de cocô? E a última vez que eles dormiram agarradinhos em nós? Quando foi a última vez que demos comidinha na boca ou levamos nossos filhos ao parquinho? Quando foi a última vez que choraram com aquele chorinho de bebê? E a última vez que sentimos o cheirinho de neném pela casa?
Ahhh, que saudade!
Nenhuma dessas despedidas veio com aviso. Todas aconteceram em dias comuns, no meio da correria, do cansaço e das roupas para lavar. Só depois a gente percebe que aquele foi o último momento. Por isso, a saudade vem misturada com uma gratidão imensa a Deus por ter vivido cada um deles.
A maternidade foi a melhor fase da minha vida
Sem dúvida, a maternidade foi a melhor fase da minha vida.
Trabalhei por muito tempo em uma empresa bancária reconhecida no Brasil e no exterior. Fui executiva, participei de reuniões importantes e conheci lugares que nunca imaginei. Mesmo assim, sou grata por cada conquista, porque todas fazem parte de quem eu sou.
No entanto, nada se compara à alegria de ser mãe. Ver cada filho dar os primeiros passos, amamentar, acompanhar os dentinhos nascendo e ouvir “mamãe” pela primeira vez valem mais do que qualquer cargo. Aliás, a sala de casa, cheia de brinquedos espalhados, me ensinou mais do que qualquer sala de reunião.
Minha bebê guerreira desde o início
Preciso contar o quanto essa pequena foi uma guerreira.
Quinze dias depois da minha cesárea, tive um sério problema pós-parto. Então precisei fazer uma cirurgia de urgência por causa de um sangramento interno. Foi um susto enorme.
Ficamos separadas por um dia. Mesmo tão pequenininha, ela foi tão boazinha que aceitou a mamadeira. No dia seguinte, meus seios já estavam lotados de leite. Por isso, conseguiram levá-la para ficar comigo como minha acompanhante. Sim, ela foi minha companheira desde aquele primeiro momento.
Depois, com paciência, ela pegou o peito novamente e esvaziou tudo o que estava ali… rsrsrs.
Fim da amamentação: amamentar vai além do leite
Como passei por esse susto, meu leite ficou ralo. Fiquei preocupada, como toda mãe fica. Mesmo assim, ela me quis.
Continuei amamentando quando dava, e ela continuou me querendo. Então percebi que ela não buscava só o alimento. Na verdade, buscava meu colo, minha voz e meu cheiro. Ela queria sentir que eu estava ali.
Aprendi com ela que amamentar é também presença, acolhimento e segurança. É dizer, sem palavras: “Estou aqui, pode descansar”. Por isso, mesmo com o fim da amamentação, sei que o vínculo continua.
Como estou vivendo o fim da amamentação
Agora acredito que ela está partindo para uma fase nova. Ela já escolhe e mostra o que quer. Por mais que doa, preciso respeitar o tempo dela.
O fim da amamentação mexe com o corpo e com o coração da mãe. Por isso, é normal sentir saudade, tristeza e até um certo vazio. Ao mesmo tempo, é natural sentir orgulho ao ver o bebê crescendo e descobrindo o mundo. Assim, os dois sentimentos podem existir juntos, e está tudo bem.
Assim são nossos bebês, nossas crianças e nossas vidas. Cada fase que se encerra abre espaço para outra. Sei que vou sentir falta daquele momento só nosso. Contudo, o vínculo entre nós não acabou. Na verdade, ele ganhou outras formas: o abraço apertado, o beijo de boa-noite e o olhar que procura a mamãe no meio da sala.
Um conselho do fundo do coração
Se você é mamãe e está no meio da correria e das noites mal dormidas, deixo um conselho que veio direto do meu coração: aproveitemos cada minuto.
Sei que nem sempre é fácil. Tem dia em que só queremos um minuto de silêncio. Ainda assim, a vida passa muito rápido, minhas amigas, e quando percebemos, o tempo já escorreu por entre as nossas mãos.
Por isso, guarde o cheirinho, grave o sorriso na memória e abrace mais. Um dia, tudo isso vira lembrança, e que seja uma lembrança cheia de amor.
Hoje, ela não me quis mais. Mas eu a quero, e a quererei para sempre.
Com carinho,
Jenifer
Este texto é um relato pessoal e não substitui a orientação de pediatras ou profissionais de saúde. Portanto, se tiver dúvidas sobre o desmame ou sobre o fim da amamentação, converse com o médico do seu bebê.